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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALBÉRGIO MAIA DE FARIAS
RECIFE - PERNAMBUCO

Nasceu em Recife, no Pátio da Santa Cruz, em fevereiro de 1947. Graduado em Direito pela UFPe.
Integrou-se ao Movimento Secundarista, na década de 60, quando conviveu de perto com a poesia. E com a antipoesia: a repressão.
Publicou algumas vezes (TEMPO DE ESPERA, PREFÁCIO ­- Um bloco de poesias, ARRRETADO -
De mesa do bar, com diversos autores; NOVO POEMA DE AMOR PELO BRASIL, em parceria com a artista plástica Nanci Maria Ferreira)
e participou de filmes do escritor e multimidia Jomard Muniz de Brito.
Residiu vinte anos em Brasília (1975-95) e atualmente mora no Recife.
 

 

ALBÉRGIO MAIA DE FARIAS - Guardanapos de papel.  Recife, Pernambuco: 1996. Projeto gráfico e ilustrações: Ralph Gehre  São Paulo Indústria Gráfica e Editora S/A.

 

I

Eu estou equipado
minha bagagem é pouca
mas é o que me basta.
Tenho as informações necessárias
para seguir viagem.
O que importa agora,
verdadeiramente,
é não faltar coragem.


II

A vida era o quarto de Joana.
Os peitos grandes
que não cabiam
na cama de lona,
quanto mais em minha mão.
A vida era brechar
Joana,
a empregada que morava
no último quarto da casa.
Que coisa linda
era Joana.
Ela tomando banho
me excitava,
mesmo sem eu vê-la,
que vontade de mordê-la
ensaboá-la
penetrá-la
até virar um circo
a cama de lona.
Que coisa linda
era Joana.


III

E me perdoe quando choro
te lembrando
não é para te trazer de volta
é para esquecer que partiste.
Eu fico até feliz
te vendo ensaboada de céu
e hoje. Albertina,
entrou sabão nos meus olhos
Cadê a toalha, cadê o sopro
o teu fado mais lacrimejado
para ninar
o meu inevitável sentimento.

Ser filho é desdobrar
fibra por fibra
o coração das mães,
do mesmo jeito que elas fazem,
parem, cuidam, encantam
e depois partem.
Minha saudade começa assim:
sumiu na Quinta das Couves
e um dia houve
quando a caravela lhe pegou
para ir no rumo de Deus.

 

*
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Página ampliada e republicada em agosto de 2026.


 

 

 
 
 
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